Do Nada ao Tudo


DUAS FLORES

A vida nos dá lições. Isso é um fato. Só aprende e avança quem quer.

As pessoas têm o direito de errar, de se dar um tempo, de repensar, de fazer escolhas, de voltar atrás, de pedir e liberar perdão, de dar uma nova chance para si e para os outros. De recomeçar.

Muitas vezes é necessário mudar de direção, ter novas perspectivas, experimentar coisas novas, conhecer pessoas e ambientes para chegarmos às reais conclusões do que é realmente bom e necessário para nossas vidas.

As ilusões da vida podem desorientar as pessoas. É preciso cuidado para que o sofrimento não venha mais tarde através de passos errados, de decisões precipitadas. Bater o martelo é uma expressão forte, pois estamos sujeitos às voltas que a vida dá.

Minha avó sempre diz que o tempo é o senhor de todas as coisas. Por isso a ansiedade não funciona. Temos que ser como os agricultores, que semeiam, regam, esperam o sol, a chuva, aguardam o nascimento das primeiras mudas, que acompanham o crescimento das plantas e combatem as pragas, até que um dia, ao amanhecer, o campo está pronto para a colheita.

Eu tenho um jardim muito especial. Desse jardim nasceram duas flores, duas flores lindas, perfumadas, com pétalas vermelhas de paixão mescladas com pétalas rosas de amor. Ninguém percebe a beleza delas como eu percebo. Para as pessoas são apenas mais duas flores, mas para mim são dois amores.

Aprendi a esperar, dar tempo ao tempo. A vida cuida delas com seus sóis, suas luas, seus ventos, suas pragas e seus remédios. Houve uma praga chamada “Dia-a-dia” que tentou destruí-las. O remédio chamado “Tempo” foi lançado sobre o solo e tive que observar de longe a cura das minhas plantinhas, pois seria contaminado se me aproximasse. Em seguida um vento tentou arrancá-las do solo e levá-las de vez. Mas as raízes já estavam profundas e seus cabos resistentes. Em meio à ventania e à tempestade, construí uma cerca ao redor delas. E lá elas permaneceram, ainda que sujeitas aos ataques da própria natureza. Eu somente as observava, atento a tudo.

Mas um dia, após uma noite difícil de insônia, acordei e abri as janelas. Lá estavam minhas duas flores, sob um céu azul como nunca e um sol digno dos aplausos esvoaçantes dos pássaros. Suas cores estavam vivas e me pareciam fortes como árvores. Lindas de se ver. E sentei ao lado delas num banquinho de madeira e ali fiquei durante toda a manhã admirando tudo o que elas representam para mim. Orgulhoso por elas terem nascido na minha vida.

 


Escrito por Ilan Pellenberg às 11h00
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FICARÁ

FICARÁ

 

(Ilan Pellenberg)

 

Deixe ecoar seus suspiros

Vou transformar sua dureza em sorriso

Eu sei o que quero

Tira essa roupa linda

Que o belo é o seu corpo em fogo.

 

Ouça o som deste violão e deixe fluir

Você está no beco dos meus braços

E não se achará mais

Mergulhe inteira em meus olhos verdes

Nessa noite que delira lá fora.

 

E não me olhe assim

Enquanto aperto essa cintura

Enquanto te beijo e falo tocando teus ouvidos.

Eu fico assim, querendo sempre mais.

 

Não me acostume mal

Que te desejo

Agarrados neste chão

Neste quarto de penumbra

Com o cheiro desse amor que fizemos

E que ficará.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h18
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