Do Nada ao Tudo


SOU RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE CULTIVO; SOU RESPONSÁVEL POR MINHAS FLORES

É impossível não me apaixonar por minhas amigas, de modo que se elas não fossem belas e graciosas e tão apaixonantes eu jamais as teria como amigas.

Todas elas, se postas juntas, dariam uma mulher com todas as perfeições femininas existentes. Não quero lembrar que juntas também poriam à mostra as imperfeições mais perfeitas do mundo.

No dicionário da minha invenção eu as defino na palavra “delícia”; eu as conjugo em verbos divinos; deliciosas mulheres do verbo amar! Eu as quero todas em minha cartilha, em meu caderno, em meu diário, em minha pele.

Neste conjunto florido incluem-se principalmente minhas tias, minhas avós e minha mãe. Essas sim são as fortalezas que me cercam, os olhos que me enxergam, as mãos que me acariciam a alma, as bocas que soltam sabedoria de vida e beijam minha fronte. Nelas residem o poder da maternidade e a aura da verdadeira esposa. Elas reinventam-se a cada instante; o ciclo feminino jamais termina. A maior prova disso é minha filha Júlia, a pequena menina que me preenche por completo e que faz de mim um adulto infantil. Um ano e sete meses de vida e já mostra sua sabedoria de mulher em gestos miúdos. O poder da esperança estampa-se em seus olhinhos e sorriso, e seus abraços e beijinhos molhados fazem o meu amor pulsar com a mesma plenitude  que vai no peito de quem conquista as alturas ensolaradas de uma montanha impossível. A mulher que nasceu de mim é simples e inexplicável.

Essas são minhas verdadeiras namoradas, noivas, esposas, mães, irmãs e filhas. Meus grandes amores são as margaridas, rosas, tulipas, orquídeas, bromélias e gérberas existentes nos corações das minhas amigas. E quanto mais as cultivo no verde gramado dos meus sentimentos, mais elas dão vida e cores aos jardins deste parque florido chamado MINHA VIDA.  

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h24
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A ARTE DA DIVAGAÇÃO

Por que tudo o que amo um dia acaba? Acabou Nirvana, acabou Los Hermanos.

Uma amiga acabou de perder sua mãe. Tenho que aproveitar mais a minha.

Tô parecido com meu irmão aqui jogado deste jeito.

Ambiente de sedução não é a minha praia. Tenho que escolher o lugar certo.

Ela está lá dançando. Não liga se estou bem, se estou mal.

O café está forte demais, bota mais leite. Só vou comer uma bisnaguinha.

Eu tenho a calma daquele cara, tenho o sorriso indeciso que se exibe para a solidão.

Toca Vinícius que ele entende o que vai em meu coração.

Hoje vou dormir de calça jeans, abraçado ao edredom enrolado.

Os gatos estão preocupados com meu estado.

Meu avô, coitadinho... num leito de hospital.

 

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 13h43
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EU NÃO SOU DONO DELE

     Cão sem dono, de Beto Brant e Renato Ciasca, foi um dos grandes filmes gaúchos que assisti. Um filme sentimental e real, que trata das perguntas sem respostas para algumas questões da vida. Os silêncios do filme são maravilhosos. Diferente e com uma história que muito me identifiquei. O protagonista, vivido por Julio Andrade, preenche todo o filme sem dizer praticamente nada.

     O papo sobre sexo tântrico é divertidíssimo, mas a frase ponto-alto do filme é quando o personagem principal é questionado por sua mãe sobre o cachorro vira-lata e prontamente ele responde: “Eu não sou dono dele; eu sou amigo”. E olha que o cachorro era “maloqueiro”. E quando o pai de Ciro diz na mesa do almoço que antigamente a adolescência ia dos 15 aos 20 anos e que hoje em dia ela vai dos 12 aos 32? Quer verdade mais moderna do que essa? Simples e inteligente.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 00h02
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