Do Nada ao Tudo


Caros amigos,

Estou postando hoje para comunicar tardiamente que estou deixando este blog e migrando para um fotolog. Foi um tempo muito bom, onde recebi vários recados que me emocionaram, me divertiram e me fizeram crescer. Agradeço especialmente à Denise (http://denise-blogda.blogspot.com/), uma blogueira que tornou-se uma grande amiga virtual e que me acompanhou em todos os posts que publiquei. Agradeço a todos os grandes amigos que me davam um feedback a respeito dos meus escritos: Paulinha, Michel, Dani, Jana, Marena e tantos outros amigos.

Quem quiser acompanhar meus posts mais informais, não tão literários assim, e com fotos do meu dia-a-dia, favor acessar http://www.fotolog.com/ilanpellenberg . Tenho feito muitos amigos por lá.

Um brande abraço e beijo em todos.

Ilan

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 14h55
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DUAS FLORES

A vida nos dá lições. Isso é um fato. Só aprende e avança quem quer.

As pessoas têm o direito de errar, de se dar um tempo, de repensar, de fazer escolhas, de voltar atrás, de pedir e liberar perdão, de dar uma nova chance para si e para os outros. De recomeçar.

Muitas vezes é necessário mudar de direção, ter novas perspectivas, experimentar coisas novas, conhecer pessoas e ambientes para chegarmos às reais conclusões do que é realmente bom e necessário para nossas vidas.

As ilusões da vida podem desorientar as pessoas. É preciso cuidado para que o sofrimento não venha mais tarde através de passos errados, de decisões precipitadas. Bater o martelo é uma expressão forte, pois estamos sujeitos às voltas que a vida dá.

Minha avó sempre diz que o tempo é o senhor de todas as coisas. Por isso a ansiedade não funciona. Temos que ser como os agricultores, que semeiam, regam, esperam o sol, a chuva, aguardam o nascimento das primeiras mudas, que acompanham o crescimento das plantas e combatem as pragas, até que um dia, ao amanhecer, o campo está pronto para a colheita.

Eu tenho um jardim muito especial. Desse jardim nasceram duas flores, duas flores lindas, perfumadas, com pétalas vermelhas de paixão mescladas com pétalas rosas de amor. Ninguém percebe a beleza delas como eu percebo. Para as pessoas são apenas mais duas flores, mas para mim são dois amores.

Aprendi a esperar, dar tempo ao tempo. A vida cuida delas com seus sóis, suas luas, seus ventos, suas pragas e seus remédios. Houve uma praga chamada “Dia-a-dia” que tentou destruí-las. O remédio chamado “Tempo” foi lançado sobre o solo e tive que observar de longe a cura das minhas plantinhas, pois seria contaminado se me aproximasse. Em seguida um vento tentou arrancá-las do solo e levá-las de vez. Mas as raízes já estavam profundas e seus cabos resistentes. Em meio à ventania e à tempestade, construí uma cerca ao redor delas. E lá elas permaneceram, ainda que sujeitas aos ataques da própria natureza. Eu somente as observava, atento a tudo.

Mas um dia, após uma noite difícil de insônia, acordei e abri as janelas. Lá estavam minhas duas flores, sob um céu azul como nunca e um sol digno dos aplausos esvoaçantes dos pássaros. Suas cores estavam vivas e me pareciam fortes como árvores. Lindas de se ver. E sentei ao lado delas num banquinho de madeira e ali fiquei durante toda a manhã admirando tudo o que elas representam para mim. Orgulhoso por elas terem nascido na minha vida.

 


Escrito por Ilan Pellenberg às 11h00
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FICARÁ

FICARÁ

 

(Ilan Pellenberg)

 

Deixe ecoar seus suspiros

Vou transformar sua dureza em sorriso

Eu sei o que quero

Tira essa roupa linda

Que o belo é o seu corpo em fogo.

 

Ouça o som deste violão e deixe fluir

Você está no beco dos meus braços

E não se achará mais

Mergulhe inteira em meus olhos verdes

Nessa noite que delira lá fora.

 

E não me olhe assim

Enquanto aperto essa cintura

Enquanto te beijo e falo tocando teus ouvidos.

Eu fico assim, querendo sempre mais.

 

Não me acostume mal

Que te desejo

Agarrados neste chão

Neste quarto de penumbra

Com o cheiro desse amor que fizemos

E que ficará.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h18
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NUNCA MAIS!

A tragédia do vôo 3054, o choro e a indignidade dos que ficaram me causaram uma comoção muito dolorida, assim como todas as tragédias parecidas como essa. A perda por morte é a pior dor que existe, pois envolve um pedaço da nossa alma que se vai junto com aquela pessoa. Sempre que assisto coisas desse tipo na TV, as lágrimas correm instantaneamente. Lembro das pessoas que amo: minha filha, minha mãe, meus amigos. Ora eu me imagino no lugar das pessoas que viveram os momentos terríveis diante da possibilidade de morte, ora me imagino na pele dos que descobrem um ente querido em meio à lista de mortos. É desesperador.
Se eu soubesse que algo aconteceria comigo numa situação como aquela, e se desse tempo de pensar em algo, fecharia meus olhos e pensaria fortemente na minha filha, na minha mãe, na minha infância, num grande amor presente em minha vida, no mar e em Deus. Se eu estivesse no lugar de uma pessoa que perdeu um parente ou amigo e soubesse que ele estava no vôo, eu me desesperaria e imediatamente um rombo despejaria da minha alma uma poça de sangue invisível. Eu desfaleceria por dentro, envelheceria um pouco mais naquele momento, as lágrimas não sairiam, a voz se perderia, a vida não faria sentido.
Já perdi pessoas e sei o que é a dor desses parentes. Não acreditamos que aquela pessoa que amamos e que convivemos, e que criamos uma relação de afeto pela vida nunca mais volte seu olhar para nós. Não acreditamos que nunca mais vamos ouvir a voz ou abraçar ou beijar aquela pessoa. Nunca mais! Nunca mais! Nunca mais! O nunca, redundantemente, é sem fim. é saudade infinita.
Ah, dor maldita de todas as perdas que já tive! Todas reunidas agora em meu peito diante dessa tragédia estúpida! Como queria proteger minha filhinha das perdas que ela um dia terá... Como queria proteger a Júlia das barbaridades desse mundo e de tudo o que vi de feio nas pessoas e na vida... Desejaria, se pudesse, que o mundo dela fosse sempre o Barney, o carrossel, o circo, o desenho, a pracinha, o gatinho e o pato, a mamãe, o papai e as vovós dela. Mas esse desejo eu infelizmente não tenho como realizar, pois ela um dia crescerá e descobrirá, como eu descobri, que a vida é bela, mas muitas de suas páginas devem ser lidas com dor e viradas com coragem.


Escrito por Ilan Pellenberg às 16h33
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AMASSO

Por alguns instantes me bateu um desejo de te puxar pela cintura e falar bobagens em seu ouvido, só pra ver teu sorriso perfeito.

Num momento de fraqueza desejei beijar teu pescoço bem devagarzinho, sem pressa, só para enlouquecê-la. Ou beijá-la toda, percorrendo toda a extensão da sua pele branca, e apertar você todinha, amarrotando sua roupa, sua carne inteira. Deixar seus lábios ainda mais rosados de tanto esfregá-los com meus beijos. Erguer você sobre mim e sentir o gosto doce do seu queixo. Minhas mãos em teu pescoço, meus dedos enroscados em seus cabelos pretos, só para que não fuja dos meus amassos. Seu corpo entregue aos meus cuidados. E você sedenta me apertando, pedindo. Maltrato-te e te arrepio. E você sorri pra mim, por alguns instantes...

 

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 00h19
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COMO DIZIA O POETA

COMO DIZIA O POETA

Vinícius de Moraes

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h41
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O CADERNO

O Caderno

Composição: Toquinho / Mutinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o be-a-bá.
Em todos os desenhos coloridos vou estar:
A casa, a montanha, duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel.

Sou eu que vou ser seu colega,
Seus problemas ajudar a resolver.
Te acompanhar nas provas bimestrais. Você vai ver.
Serei de você confidente fiel,
Se seu pranto molhar meu papel.

Sou eu que vou ser seu amigo,
Vou lhe dar abrigo, se você quiser.
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel.

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.

Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer.



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h29
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SOU RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE CULTIVO; SOU RESPONSÁVEL POR MINHAS FLORES

É impossível não me apaixonar por minhas amigas, de modo que se elas não fossem belas e graciosas e tão apaixonantes eu jamais as teria como amigas.

Todas elas, se postas juntas, dariam uma mulher com todas as perfeições femininas existentes. Não quero lembrar que juntas também poriam à mostra as imperfeições mais perfeitas do mundo.

No dicionário da minha invenção eu as defino na palavra “delícia”; eu as conjugo em verbos divinos; deliciosas mulheres do verbo amar! Eu as quero todas em minha cartilha, em meu caderno, em meu diário, em minha pele.

Neste conjunto florido incluem-se principalmente minhas tias, minhas avós e minha mãe. Essas sim são as fortalezas que me cercam, os olhos que me enxergam, as mãos que me acariciam a alma, as bocas que soltam sabedoria de vida e beijam minha fronte. Nelas residem o poder da maternidade e a aura da verdadeira esposa. Elas reinventam-se a cada instante; o ciclo feminino jamais termina. A maior prova disso é minha filha Júlia, a pequena menina que me preenche por completo e que faz de mim um adulto infantil. Um ano e sete meses de vida e já mostra sua sabedoria de mulher em gestos miúdos. O poder da esperança estampa-se em seus olhinhos e sorriso, e seus abraços e beijinhos molhados fazem o meu amor pulsar com a mesma plenitude  que vai no peito de quem conquista as alturas ensolaradas de uma montanha impossível. A mulher que nasceu de mim é simples e inexplicável.

Essas são minhas verdadeiras namoradas, noivas, esposas, mães, irmãs e filhas. Meus grandes amores são as margaridas, rosas, tulipas, orquídeas, bromélias e gérberas existentes nos corações das minhas amigas. E quanto mais as cultivo no verde gramado dos meus sentimentos, mais elas dão vida e cores aos jardins deste parque florido chamado MINHA VIDA.  

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h24
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A ARTE DA DIVAGAÇÃO

Por que tudo o que amo um dia acaba? Acabou Nirvana, acabou Los Hermanos.

Uma amiga acabou de perder sua mãe. Tenho que aproveitar mais a minha.

Tô parecido com meu irmão aqui jogado deste jeito.

Ambiente de sedução não é a minha praia. Tenho que escolher o lugar certo.

Ela está lá dançando. Não liga se estou bem, se estou mal.

O café está forte demais, bota mais leite. Só vou comer uma bisnaguinha.

Eu tenho a calma daquele cara, tenho o sorriso indeciso que se exibe para a solidão.

Toca Vinícius que ele entende o que vai em meu coração.

Hoje vou dormir de calça jeans, abraçado ao edredom enrolado.

Os gatos estão preocupados com meu estado.

Meu avô, coitadinho... num leito de hospital.

 

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 13h43
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EU NÃO SOU DONO DELE

     Cão sem dono, de Beto Brant e Renato Ciasca, foi um dos grandes filmes gaúchos que assisti. Um filme sentimental e real, que trata das perguntas sem respostas para algumas questões da vida. Os silêncios do filme são maravilhosos. Diferente e com uma história que muito me identifiquei. O protagonista, vivido por Julio Andrade, preenche todo o filme sem dizer praticamente nada.

     O papo sobre sexo tântrico é divertidíssimo, mas a frase ponto-alto do filme é quando o personagem principal é questionado por sua mãe sobre o cachorro vira-lata e prontamente ele responde: “Eu não sou dono dele; eu sou amigo”. E olha que o cachorro era “maloqueiro”. E quando o pai de Ciro diz na mesa do almoço que antigamente a adolescência ia dos 15 aos 20 anos e que hoje em dia ela vai dos 12 aos 32? Quer verdade mais moderna do que essa? Simples e inteligente.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 00h02
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As Côres

 

Autor: Ilan Pellenberg

 

Fazendo-me sorrir novamente

Ela me traz de volta à vida plena

Retribuo neste simples presente

Que é essa cançãozinha assim tão serena.

 

Aqueça tuas mãos nas luvas do meu afago

Vamos caminhar abraçados pelo Rio

Conte-me de fato um lance engraçado

Bebamos algo quente contra o frio.

 

Seremos felizes nessa noite

Até o resto dessa vida

Não tema a dor que pra ti for açoite

Que do meu lado estará protegida.

 

Encoste tua cabeça aqui

Pra gente ficar mais por perto

Fale mais suave assim

O nosso beijo foi dado como certo.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h59
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SAUDADE

Saudade do meu irmão, de quando ele era bebê.

Saudade da minha filha-florzinha, que ainda é um bebê.



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h12
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ELA

Ela que escrevia frases inteligentes tinha a vida plena. Cativava desconhecidos que logo passavam para a condição de amigos. Os amigos, com cada sorriso, mais próximos queriam ficar. E todos que não eram poetas faziam poemas pra ela.

Cantava e dançava com a alma. De tudo o que achava graça, mais engraçado se tornava.

Olha lá, amigo, quando ela se entristece. Tão triste como toda mulher linda que chora. Quisera eu secar suas lágrimas doces com o roçar do meu rosto ou colhê-las ainda quentes na bacia dos meus beijos.

Falo em teus ouvidos o que gosta de escutar porque amo o teu sorriso. Deixa que eu curo tuas dores de desamor com minhas mãos que te seguram e acariciam.

Não se despeça, dá-me um abraço desses bem quentes, e não diga aquela palavra de despedida jamais. Apenas caminhe pra lá e deixe que eu sozinho me vá. Invento um motivo... e vou-me.

 



Escrito por Ilan Pellenberg às 23h05
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ÚLTIMO ROMANCE

Ultimo Romance

Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante

Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pra eu merecer
Antes de um mês
Eu já não sei

E até quem me vê
Lendo jornal
Na fila do pão
Sabe que eu te encontrei
E ninguem dirá
Que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor
A gente é quem sabe, pequena

Ah vai!
Me diz o que é o sufoco
Que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia
Eu levo essa casa numa sacola

Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê
Deve não ser
Você me falou
Pra eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor

E só de te ver
Eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar

Ah vai!
Me diz o que é o sossego
Que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora
Pego carona
Pra te acompanhar



Escrito por Ilan Pellenberg às 09h33
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ARTE

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção.

Trecho da música Metade, de Oswaldo Montenegro



Escrito por Ilan Pellenberg às 07h21
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